16.05.2018 | 07h55


RENATO DE PAIVA PEREIRA

Bom exemplo de Várzea Grande

A partir de julho estará em operação um novo sistema de radares móveis que têm o alcance de até dois quilômetros

Nossa vizinha VG bota o pé no freio para acelerar o processo educacional dos motoristas irresponsáveis que matam e mutilam dezenas de pessoas todo ano, principalmente na Avenida da FEB.

Cansada dos constantes acidentes, VG planeja, para o começo do segundo semestre, ações que buscam diminuir a pressa dos condutores, com ótimas chances de sucesso.

A forma usada aqui em Cuiabá para disciplinar os condutores incivis é um atentado à lógica e ao bom senso. Na Avenida Miguel Sutil, por exemplo, existem cerca de quatro ou cinco radares fixos em cada sentido, antecedidos de farta sinalização avisando que naquele ponto será medida eletronicamente a velocidade do veículo.

Assim, com a benção tácita da prefeitura local, os condutores circulam a 100/120 km/h em toda a via e mais ou menos 50 metros antes dos radares metem o pé no freio para se livrarem das possíveis multas, acelerando de novo em seguida. Mas a velocidade de 60 km/h, embora os motoristas finjam ignorar, é o máximo permitido pelo código de trânsito em toda a avenida, não somente nos pontos de medição.

Se esta conivência dos administradores com a desobediência não fosse suficiente danosa, ainda têm políticos e funcionários públicos criando toda sorte de embaraços para a aplicação das raras multas e discutindo judicialmente a validade das sanções aplicadas.

Todos conhecemos as histórias de vereadores e deputados que se elegeram combatendo o que chamavam de “indústria da multa”, no que foram muito competentes, pois conseguiram no mínimo retardar o processo disciplinador do trânsito.

Parece que a administração municipal de Várzea Grande acordou dessa letargia e vai finalmente fazer uma ação eficiente para melhorar o comportamento dos motoristas.

A prefeitura da nossa vizinha informa que a partir de julho estará em operação um novo sistema de radares móveis que têm o alcance de até dois quilômetros. Eles funcionarão sem a necessidade de policiais ou agentes de trânsito direcionarem o foco para um determinado veículo.

Esses equipamentos serão alugados por 704 mil reais anuais, valor muito baixo em relação aos benefícios que por certo trarão. Basta uma boa campanha informativa alertando os condutores de que há um monitoramento com aparelhos discretos que mudam de lugar aleatoriamente para “educar” 80% deles. Muitos outros serão “convencidos” quando as multas de até 880 reais começarem a chegar pelo correio. Os que insistirem pagarão com sobra o custo dos equipamentos.

A ideia é excelente, só não pode ser desperdiçada pela negligência da implantação ou pela ação de políticos que por certo, à cata de algum voto, tentarão usar artifícios judiciais para perpetuar a barbárie.

Parabéns para a administração de VG, a torcida é grande para o sucesso da empreitada. Coisas boas não são, necessariamente, dependentes de dispendiosos gastos. Nesse caso, as despesas serão pagas pelos que teimam em desrespeitar a lei.

Depois das faixas de pedestres, que começam a ser respeitadas, há uma nova expectativa nas ruas de Várzea Grande, com a chegada dos radares móveis.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor.

renato@hotelgranodara.com.br

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