20.03.2017 | 08h21


A república dos bárbaros

Já não é mistério para ninguém que os ministérios do Governo Federal viraram castelos góticos



Estamos vivendo e presenciando uma época de obscurantismo na política brasileira. Pelo andar da carruagem desgovernada, a democracia atual está mais doente e inválida do que nos tempos da República Velha. 

Os bárbaros usurparam o poder maior da República e hoje estão espoliando as instituições públicas do país. O Congresso Nacional se transformou numa espécie de campo de batalha dos Vikings da Idade Média. Onde os parlamentares, a serviço da minoria aristocrática, fazem parte do exército dos corruptos da oligarquia política deste país.

Sim, exatamente isso que o leitor está imaginando: eles estão dispostos a destruir os princípios do Estado Democrático de Direito a fim de violar as leis constitucionais e, o que é pior e irreparável, transformar a Carta Magna de 1988 em uma doutrina neoliberal, que por sua vez, massacra os pobres, retirando-lhes os diretos sociais e, em contrapartida, salvaguarda os interesses individualistas e egocêntricos da casta dos mais ricos.

Os vampiros, desprovidos de qualquer tipo de caráter e integridade, sem senso algum de Justiça nas veias, estão vilipendiando a sagrada mãe Pátria, transformando-a em uma meretriz da imoralidade pública. Eles dançam em cima das tumbas do povo brasileiro, brindam a desgraça da malversação dos recursos públicos, bebem o sangue das crianças inocentes que estão jogadas a deus dará nos corredores dos hospitais públicos e, no fim, ainda comemoram a impunidade de seus crimes.

Já não é mistério para ninguém que os ministérios do Governo Federal viraram castelos góticos que, por sua vez, servem como refúgio para os politiqueiros que estão se escondendo atrás de seus foros privilegiados tentando negociar, de todas as maneiras, pelo viés político, com a Suprema Corte deste país. Isso, com o intuito vil de tentar se livrar dos atos ilícitos cometidos ao longo de suas carreiras de sanguessugas da República.

A sujeira é tamanha que chegou ao ponto de certos ministros da Corte Maior manterem vínculos com esses acusados - sob a luz obscura do fisiologismo, como a indicações de parentes para ocupar cargos no Governo Federal. Esse toma lá, dá cá tem um preço, o qual, sabe-se lá, como será pago.

Desta maneira, sobressai-se a indagação: Que imparcialidade jurídica terá esse juiz-ministro para julgar os réus - acusados de saquearem bilhões em propinas da maior empresa Brasileira (Petrobras)? Já que alguns deles têm favores para com seus compadres da política. Uma relação, no mínima, questionável e imoral.

Mas esses “nobres” decaídos da virtude ética já não têm nenhuma preocupação de manter a máscara da hipocrisia legalista; o véu sagrado da idoneidade moral e da personalidade ilibada se rasgou revelando as presas dos imperadores sanguessugas, que só visam o status quo de suas posições hierárquicas nessa sociedade do espetáculo de horrores. Não obstante, é por isso que as trevas da ilegalidade estão impregnadas no Palácio da Alvorada, corrompendo os corações dos servidores com os exemplos negativos dos atos ilícitos cometidos pelo “grande chefe” deles.

É por isso que a república dos bárbaros, que foi instituída através do conluio partidário e pelas espadas dos lobistas, vem sendo, continuadamente, para tristeza de milhões de brasileiros, motivo de vergonha internacional, o que desmoraliza ainda mais a história deste país.                         

No entanto, nem tudo está perdido, pois cada cidadão representa uma vela de esperança que pode iluminar a glória da democracia, manifestando-se, de maneira cívica e patriótica, para bradar o grito retumbante de um povo heroico e assim, fazer o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhar no céu da pátria novamente.

“Mas se ergues da justiça a clava forte verás que o filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte. Terra adorada, entre outras mil, és tu Brasil, ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!”.

Marcelo Ferraz é jornalista e escritor. Autor de obras à venda no site da Livraria Cultura e no site Amazon.com . O autor ganhou o Prêmio Mato Grosso de Literatura, e o Concurso Literário Prof. Sérgio Dalate, ofertado pela Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT).

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











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