11.03.2019 | 08h27


RENATO DE PAIVA PEREIRA

A cultura e a extravagância

O movimento LGBTI erra por confrontar hábitos secularmente solidificados

O texto que segue pede uma explicação inicial para atenuar a força dos ataques que por certo virão.  Por isso apresso-me a dizer que entre as pouquíssimas virtudes que a natureza me deu e que o ambiente social cultivou, está o respeito indiferenciado a todas as pessoas.

O “nariz de cera” que no jargão jornalístico é um enrolação antes do assunto principal, vai aqui com as devidas desculpas:

A cultura (conhecimento, crenças, moral, arte, tradição e costumes) é tão determinante no comportamento das pessoas que muitos custam a aceitar a diversidade e se ofendem com atitudes divergentes do padrão cultivado por elas.  Assim os árabes se sentem ofendidos se alguém mostrar a sola do sapato quando cruza as pernas e os parisienses acharão grosseiríssimo quem palitar os dentes após as refeições. Ainda, alguns povos orientais apreciarão seu sonoro arroto ao fim do jantar e os casais são proibidos de se beijarem em público na Indonésia. Também em vários países da Ásia come-se carne de cachorro, e os judeus abominam o porco.

Feitas as necessárias explicações, porque o assunto é espinhoso, e escrito o nariz de cera para contextualizar a matéria, já está na hora de entrar no assunto.

O movimento LGBTI, que representa o lado mais provocante dos homossexuais, ao tentar impor seu comportamento extravagante (no sentido de fora do habitual) a uma sociedade culturalmente heterossexual, a meu ver, erra por confrontar hábitos secularmente solidificados e tentar removê-los na marra. É o caso das moças que se beijaram lascivamente em um restaurante para provocar o general Mourão, que, claro, com sua serenidade, não passou recibo.

Há, entretanto, de separar os homossexuais comuns que convivem harmoniosamente na sociedade, e são aceitos por ela, das pessoas desqualificadas como aquelas duas que encenaram o episódio de pornografia explícita, divulgadas nas redes sociais pelo presidente Bolsonaro, com total desrespeito pela liturgia do cargo. 

Indivíduos insanos tentando ridicularizar a sociedade conservadora podem causar o mesmo desconforto de um hipotético grupo de pessoas que se dedique a divulgar o consumo da carne de cachorro entre os que repudiam tal ideia. A tradição heterossexual e a intimidade das coisas relacionadas ao sexo fazem parte do comportamento socialmente transmitido e está entranhado no complexo cultural do País. Da mesma forma também existe forte aversão ao consumo da carne de cachorro. Ambos fazem parte da cultura do povo e não convém tentar eliminá-los na marra.

Claro que esse grupo fictício dos divulgadores da guloseima asiática legalmente pode insentivar as pessoas a comerem o legítimo “hot dog”. Da mesma forma, dois homossexuais tem o direito de proceder em público como um casal amoroso.  Mas, inegavelmente, ambos provocam constrangimentos. A indignação causada pela alusão ao consumo de carne de cachorro nos donos de pets seria proporcional à ira de religiosos conservadores diante de ”amaços” em público de casais gays.

As categorias sexuais, que agora são dezenas, deveriam conviver pacificamente com os tradicionalmente heterossexuais sem intenção de impor-lhes seus costumes. Os mais afoitos, que a meu ver são minoria, precisam entender que a cultura de um povo não pode ser mudada de supetão. Os homossexuais sensatos que respeitam o pensamento majoritário da sociedade deveriam desautorizar os desvairados a falarem em nome da categoria.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











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