14.06.2019 | 09h04


LUTAVA CONTRA O CÂNCER

Morre produtor musical André Midani no RJ

Um dos maiores nomes da indústria fonográfica nacional, ele produziu da bossa nova ao rock



Um dos maiores nomes da indústria fonográfica brasileira, André Midani morreu na noite de quinta-feira, aos 86 anos, na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea. O produtor foi diagnosticado com câncer há quatro meses.

Natural de Damasco, na Síria, mas criado na França desde os 3 anos, Midani chegou ao Brasil em 1955, quando começou a trabalhar na Odeon (hoje EMI). Contratado para lançar o selo Capitol Records no Brasil, aos poucos foi entrando em contato com artistas brasileiros e foi responsável pelo lançamento de discos fundamentais de diferentes movimentos, da bossa nova ao rock Brasil nos anos 1980.

Uma das diretoras, ao lado de Andrucha Waddington, da série sobre a vida do executivo“ André Midani — Do vinil ao download” (2015) , Mini Kerti lamentou a perda do produtor.

— André era um grande amigo, um mestre — disse Kerti.

O produtor musical Liminha usou o Instagram para prestar uma homenagem a Midani, a quem chamou de "Mestre dos mestres".

A carreira de  André Midani teve início em 1952, na gravadora Decca, na França, onde começou como apontador de estoque e se destacou numa função ainda incipiente na indústria, a de descobridor de projetos fonográficos. No Brasil, em busca de um estilo musical fosse identificado com a juventude local, entrou em contato com Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, entre outras futuras estrelas da bossa nova. Depois conheceu João Gilberto e Tom Jobim, que, na época, fazia arranjos para a Rádio Nacional.

Após desligar-se da Odeon, na década de 1960, foi convidado para instalar a Capitol no México e em Los Angeles. Em 1968, voltou ao Brasil para assumir a a presidência da Philips (hoje Universal Music), na época deficitária e com um prazo de três anos para recuperá-la. Foi de Midani a decisão de reduzir o elenco da gravadora em mais de cem artistas, centrando em cerca de 50 nomes do estilo que viria a ser popularizado como MPB, a exemplo de Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil. Depois, ele contratou artistas como Tim Maia, Chico Buarque, Jorge Benjor, Luiz Melodia, Jards Macalé e Raul Seixas, entre outros. 











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