20.04.2019 | 08h55


80 TIROS

Militares presos por fuzilamento vão responder por dois homicídios



O Exército encaminhou a investigação sobre o fuzilamento do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo por militares ao Ministério Público Militar (MPM). Segundo fontes da Justiça Militar ouvidas pelo EXTRA, os nove militares atualmente presos vão responder pelos homicídios das duas vítimas e pelas tentativas de homicídio contra os quatro parentes de Evaldo que estavam no carro. A denúncia ainda será apresentada à Justiça pelo MPM.

Ontem, a mãe de Luciano, Aparecida Macedo, fez um desabafo antes de sepultar seu filho em uma cova rasa no Cemitério do Caju:

— Meu filho só estava tentando ter a casinha dele, com a mulher dele. Eu ainda disse para ele: vai fazer barraco aí? Ele disse: ‘fica calma coroa, o Exército está ali perto’. O Exército matou meu filho!

Segundo a perícia, carro foi atingido por 80 tiros disparados por militares.

Foi num dos acesso à favela do Muquiço, vizinha à Vila Militar, que Luciano foi baleado por militares do Exército, quando tentava ajudar a família de Evaldo Rosa, que morreu depois de ter o carro atingido por 80 tiros no dia 7 de abril. Luciano estava internado há 11 dias no Hospital Carlos Chagas, e não resistiu aos ferimentos.

Em quatro meses, Luciano seria pai: sua mulher Daiana está grávida de cinco meses. O casal vivia nas ruas, e o catador estava juntando pedaços de madeira para construir um barraco na Favela do Muquiço, em Guadalupe, próxima ao local do crime. No momento em que o carro de Evaldo foi fuzilado pela patrulha dos militares na Estrada do Camboatá, Luciano e Daiana passavam, com um carrinho de mão, pela via a caminho do local onde o catador coletava as vigas para a construção da casa.

Catador Luciano Macedo foi atingido nas costas ao tentar ajudar família que estava no carro Catador Luciano Macedo foi atingido nas costas ao tentar ajudar família que estava no carro

Segundo seus parentes, Luciano Macedo teve infância difícil, nas proximidades da favela do Final Feliz, em Anchieta. Perdeu o pai cedo, num acidente doméstico. Os dois irmãos foram criados pela mãe, a auxiliar de serviços gerais Aparecida Macedo. Luciano estudou até a 5ª série. Por conta de uma tuberculose, ele perdeu um dos pulmões. Quando completou 18 anos, saiu de casa e decidiu que iria viver sozinho: acabou indo morar nas ruas.

Nesse período, segundo seus parentes, Luciano passou fome e até chegou a ser preso por um roubo. Para conseguir comprar comida, passou a catar latinhas nas ruas. Há dois anos, reencontrou Daiana, uma paixão antiga, e começou um relacionamento. O casal vivia um momento feliz esperando a chegada do filho.

 











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