24.12.2016 | 11h15


OPERAÇÃO RÊMORA

Promotor diz que Pedro Taques é 'referência' no combate à corrupção

Chefe do Gaeco afirma que o caso específico da Operação Rêmora, que apura as fraudes em licitações da Seduc, é "isolado"



O coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), promotor Marco Aurélio Garcia, afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) é "uma referência" no combate ao crime organizado em Mato Grosso.

A declaração foi feita em entrevista ao programa "O Livre", conduzido pelo jornalista Augusto Nunes, na Band, nesta semana.

"Eu sempre tive o governador Pedro Taques, meu ex-colega de Ministério Público Estadual, como uma referência no combate ao crime organizado e um homem de coragem e de fibra”, disse Castro.

O promotor afirmou que não tinha dúvidas de que escândalos de corrupção - como o que envolve a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) - iriam aparecer.

Mas, observou que o caso específico da Operação Rêmora, que apura as fraudes em licitações de obras na pasta, é "isolado".

“Quando o Governo se instalou, não tive dúvidas de que algo surgiria. Afinal, são quatro anos de mandato, e a corrupção não é do Governo, ela é do homem. Minha admiração [por Pedro Taques] continua. A Operação Rêmora é um caso isolado, que ganha uma certa conotação por ser o primeiro caso de combate ao crime organizado dentro do Governo Pedro Taques, mas muito setorizado”, afirmou o promotor.

Na entrevista, o chefe do Gaeco disse que o loteamento de secretarias e cargos, feito com base em questões políticas, colaborou para a existência de casos como o investigado na Operação Rêmora. E, segundo ele, uma das estratégias da operação é investigar com base nessa possibilidade.

“Já temos provas de que alguns cargos desse grupo criminoso foram escolhidos por políticos, que, segundo testemunhas e até colaboradores, eram donos daqueles cargos. Isso, pra mim, é um erro. Toda vez que entregamos a alguém o comando de algo, podemos fazer isso para uma pessoa de bem ou alguém que quer fazer o mal”, disse.

A operação

Durante a entrevista, o promotor Marco Aurélio de Castro deu detalhes sobre a deflagração da operação que desarticulou o esquema de fraudes em licitações e de pagamento de propinas na Seduc.

Segundo ele, antes da primeira fase da Operação Rêmora, o Gaeco recebeu uma denúncia, de uma pessoa que iria participar de uma reunião das empreiteiras para a divisão de obras na pasta.

“A reunião foi gravada e nós começamos a verificar a distribuição das empresas. Tínhamos ali uma prova cabal de formação de cartel, através do sorteio. Antes do lançamento do edital das obras, já se sabia quem iria ganhar”, disse o promotor.

O passo seguinte, segundo Castro, era aguardar a licitação e conferir se as empresas iriam, de fato, vencer o certame.

“Tivemos 90% de coincidência entre o sorteio e o resultado. Isso foi entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016. Não tínhamos nenhum ato de desvio ao erário ali, naquele momento. Quando as empresas ganharam, a ideia do Gaeco foi de deixar andar um pouco com a obra, para materializar o pagamento, se configurando assim o crime de peculato, através de um flagrante retardado”, explicou.

Para o chefe do Gaeco, se o esquema não fosse revelado, o desvio seria de R$ 56 milhões, na hipótese de as obras serem executados do começo ao fim previsto.

“O dano não foi nem perto disto. Com três ou quatro obras em andamento, deflagramos operação. Nós queríamos provar que as pessoas que distribuíram as obras, ganharam”, disse.

O trabalho do Gaeco, segundo o promotor, ainda está longe de sua conclusão.

Segundo ele, a cada fato novo investigado, novos fatos e nomes podem surgir.

“Quem nós tínhamos como chefe do esquema, no início da operação, já não é mais. Estão subindo de hierarquia, e ele já está no segundo grau. Este trabalho vai longe”, disse Marco Aurélio de Castro.

Os principais nomes envolvidos no esquema, até agora, são os do empreiteiro Giovani Guizardi, que fez delação premiada; do empresário Alan Malouf, que está preso em Cuiabá; e do ex-secretário de Educação, Permínio Pinto, que deixou a prisão e é monitorado por tornozeleira eletrônica.

Confira parte da entreevista do promotor Marco Aurélio Casto, chefe do Gaeco: 

 

 











(5) COMENTÁRIOS

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Maria  24.12.16 20h22
O chefe maior Dr é o chefe maior, sabe quem é? Todo mundo sabe...

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vanda  24.12.16 18h31
MT esta no laisse faire laisse passe, ou seja, a Deus dará; pois quem deveria defendê-lo, está indo na contra-mão, elogiando pessoas que são citadas supostamente como caixa 2.

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marcos  24.12.16 16h09
Nossa,tem certas coisas que é melhor nem comentar, só lamentar.

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Carlos Henrique  24.12.16 14h18
Que puxa-saco. esse promotor parece que está querendo ocultar a verdade. Os delatores já entregaram todo o esquema desse governador. Vamos ficar de olho no trabalho "seletivo" desse amigo do governador.

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matusalemjm  24.12.16 13h01
A verdade é uma: GOVERNADOR convive com um pessoal muito complicado (operação navalha, Rêmora, Sanguessuga) e esses são citados que disque receberam dinheiro ílicito, além de que o Governador segundo dizem, mais sem sabermos a verdade manipulou mesa diretora de Assembléia Legislativa. Esta em outro momento de vida. Acho que todos agora não confiam mais nesse Governador. É muita coisa errada em pouco tempo. E se o Delator esta falando tudo o que sabe. O que dá pra pensar, é que votamos em alguém que não é mais nada do que pensamos.

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