13.07.2019 | 14h00


MESES DE TERROR

Personal espancada: Ele queria me moldar e não me aceitava do jeito que sou

Mel Di Pietro superou a depressão e o vício após ser espancada pelo ex-namorado e inspirou a criação da rede Supere-se que ajuda mulheres vítimas de violência em todo o país.


DA REDAÇÃO

A personal trainer, Mel Di Pietro, de 30 anos, moradora de Rondonópolis (212 km de Cuiabá) virou exemplo de superação ao divulgar a violência sofrida há um ano e meio, quando foi espancada pelo então namorado, com quem viveu relacionamento abusivo. A história dela inspirou a criação de uma rede que hoje ajuda a outras mulheres vítimas de violência.

"Nós possuímos uma força que não imaginamos. Essa dor podemos transformar em força", afirma a mulher que superou a depressão após a agressão. 

Mel é de Rondonópolis (212 km de Cuiabá), mas morou durante sete anos em Balneário Camboriú (SC). Ela conheceu D.A.S em uma festa de amigos em comum, tempo depois ele se tornou seu namorado. O casal passou por uma relação relâmpago, de apenas três meses, o motivo do fim foi o comportamento possessivo e controlador do agressor.

“Ele era ciumento. Implicava com a roupa que usava, as fotos que postava no Instagram, o meu trabalho, meus amigos e minha família”, conta.

Segundo o relato da personal trainer, a história vivida por ela é semelhante a de outras vítimas que não viam risco do companheiro se tornar um agressor, já que ele costumava a tratar como uma princesa, no início do namoro, mas após um mês juntos começaram aparecer as agressões verbais.

A situação foi piorando, “ele queria me moldar da forma que ele achava ideal e não me aceitava do jeito que sou”, relata a mulher.

Arquivo Pessoal

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Mel encontrou no vício refúgio para a dor que sentia pós violência.

Apaixonada, sempre após as discussões ela acreditava nas promessas de mudança, feitas pelo ex-namorado. O fim do namoro se deu em uma das inúmeras discussões do casal, em que aconteceu a primeira agressão física.

Mel disse que não queria mais se relacionar com o agressor, que a segurou pelos pulsos e a pressionou contra a parede, pois, não aceitava o fim. Ela chamou a mãe, que estava em sua casa, que expulsou D.A.S. do local.

Passado pouco tempo, o ex-casal se encontrou em uma festa de final de ano e ficou junto novamente. A personal nutria sentimentos pelo ex, e não entendia a situação que enfrentava, mas não queria reatar por medo de novas violências.

"Nós possuímos uma força que não imaginamos. Essa dor podemos transformar em força", afirma a mulher que superou a depressão após a agressão.

Após o reencontro, Di Pietro começou a ser perseguida pelo ofensor, e depois de muita insistência aceitou se encontrar com ele para conversar.  

 “Expliquei que realmente não queria mais e ele não aceitou. Tentei descer do carro, mas ele me puxou pelos cabelos e me levou até o sua residência”.

No apartamento de D.A. S, ela foi agredida com tapas, socos e chutes, o que resultou nos hematomas das fotos divulgadas por Mel Di Pietro.

A mulher chamou a Polícia Militar, assim que o agressor a deixou, ela tinha sangue e sinais por todo o corpo.

Depois do fato, a vítima revela que desenvolveu depressão, começou a beber e usar cocaína. Perdeu o emprego, ficava por horas deitada no sofá, tinha crises de ansiedade e pensou por diversas vezes em suicídio.

Foi então que ela resolveu retornar para Rondonópolis (MT), para perto da família e dos amigos de infância. Mel recomeçou a sua vida, estudou e se tornou personal trainer, hoje incentiva e ajuda mulheres que passam pela mesma situação.

D.A.S foi indiciado e responde a um inquérito policial e uma ação criminal, que tramita na Comarca de Itajaí.

Supere-se

Ela relata que a advogada Sirlei Theis, foi crucial no seu processo de recuperação. Mel foi inspiração para que Theis criasse a rede de ajuda “Supere-se”.  Sirlei e Mel ajudam, pela internet,

Arquivo Pessoal

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Em Rondonópolis, ela recomeçou sua vida. Hoje é personal trainer.

mulheres de todo o Brasil, que são vítimas de violência. 

A advogada conta que baseada em todo processo que passou para superar o relacionamento abusivo que viveu, durante 1998 até 2007, criou um programa de desenvolvimento comportamental.

Theis explica que desenvolveu um método que abrange em primeiro lugar desenvolver o autoconhecimento, a auto responsabilidade, a autoestima. “A mulher precisa se conhecer, para assumir a sua responsabilidade e sair da condição de vitimismo e desenvolver a autoestima”, argumenta.

Shirlei criou uma mentoria online, para que pudesse a atender a demanda de mulheres de todo o país que a procuravam. O telefone para contato com a rede é (65) 98151-4343.

 











(3) COMENTÁRIOS

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Carla  14.07.19 13h14
Relacionamento abusivo? Quem conhece toda a história tem outra versão. Mas... O erro dele foi não ter saído fora bem antes.

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Davi  14.07.19 13h10
O indivíduo me arruma uma personal e espera que ela vai ficar só com ele. Ah tá!? 🤣🤣🤣

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Júlia  14.07.19 13h09
O grande erro tanto de homens quanto mulheres é acreditar que alguém vai mudar. Se relacionam com pessoas infiéis e tentam moldá-las a todo custo. Pau que nasce torto morre torto. Corre o risco ainda de ser preso e desmoralizado.

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