13.03.2019 | 15h18


SANTA SÓ NO NOME

Parentes de Antônio Preza e outros 38 recebiam até R$ 40 mil por mês em filantrópico

A investigação aponta que no alto escalão da Santa Casa estavam nomes como da mulher do ex-presidente Antônio Preza e o primo dele, Otávio Preza.


DA REDAÇÃO

O vereador Toninho de Souza afirmou que uma análise na folha de pagamento da Santa Casa revelou que 40 funcionários do alto escalão da unidade filantrópica teriam recebido salários vultuosos de R$ 14 mil a R$ 40 mil. Entre eles estariam nomes de familiares do ex-presidente do hospital, o médico Antônio Preza.

De acordo com o vereador, na lista de familiares empregados na unidade estariam: Otávio Preza, que é primo do ex-presidente, e teria o salário de R$ 15 mil; Telma Preza, esposa do ex-presidente, que trabalhava no setor de doações do hospital e recebia o salário de R$ 15 mil. Ela saiu do cargo depois que o marido renunciou à Presidência.

“Não tem empresa privada que paga esses valores a funcionários do setor administrativo. Nem a Amaggi, que é uma multinacional faz isso”, declarou Toninho.

As informações foram levantadas pela assessoria do parlamentar e fazem parte do escopo das investigações da CPI na Câmara de Cuiabá, em cima dos contratos de prestação de serviço entre a Santa Casa e a Prefeitura da Capital. Toninho é membro da CPI.

A lista traz ainda o nome da  esposa de outro ex-presidente da Santa Casa, Luiz Felipe Sabóia; Candelária Elizabeth Sabóia, que atualmente trabalha no setor de doações do hospital, e que na época de Preza recebia R$ 13 mil pela função. Já segundo as investigações, atualmente ela recebe R$ 15 mil.

Salários x falência

Toninho ressaltou que os salários pagos à diretoria eram muito altos e podem ter contribuído para a crise financeira do hospital filantrópico, que, segundo a CPI, possui dívidas de R$ 100 milhões.

“Não tem empresa privada que paga esses valores a funcionários do setor administrativo. Nem a Amaggi, que é uma multinacional faz isso”, declarou o parlamentar.

Os trabalhos da CPI encerram na tarde desta quarta-feira (13), quando os vereadores irão interrogar Preza na Câmara de Cuiabá.

Quanto ao objeto principal de investigação da comissão, que são contratos entre a Prefeitura e Santa Casa, Toninho asseverou que, com base nos documentos já colhidos, o Município não deve nenhum repasse ao hospital: “Pelo contrário, e a Santa Casa que deve R$ 24 milhões em serviços não prestados à Prefeitura, como a realização de exames e cirurgias”, acrescentou Toninho.

"Minha esposa trabalhou na Santa Casa de voluntária; ela nunca recebeu nenhum centavo por isso. Jamais em tempo algum, um funcionário da Santa Casa ganhou R$ 40 mil”, rebateu Preza.

Outro lado

À reportagem, o ex-presidente Antônio Preza negou todas as acusações de Toninho.  

O ex-presidente da Santa Casa alega que nunca existiram salários de R$ 40 mil no hospital e o maior vencimento pago seria de uma funcionária no valor de R$ 20 mil, que trabalha há mais de 20 anos na Santa Casa.

“Ela recebe esse valor pelo tempo de serviço”, disse.  

Negou que sua esposa recebia R$ 15 mil, mas confirmou que trabalhava no setor de doações, mas de forma voluntária.

Quanto à Candelária, esposa de Sabóia, disse que na sua gestão ela recebia R$ 13 mil, mas que esse salário foi posteriormente reduzido, mas que não se lembra do valor.

Preza também confirmou que o seu primo, Luiz Otávio Preza, também trabalhou na Santa Casa, mas não divulgou o salário dele. Se limitou a dizer que ele não fazia parte da direção do hospital.

“Não sei de onde o Toninho tirou essas informações; totalmente inverídicas. Minha esposa trabalhou na Santa Casa de voluntária; ela nunca recebeu nenhum centavo por isso. Jamais em tempo algum, um funcionário da Santa Casa ganhou R$ 40 mil”, rebateu Preza.

Até a publicação dessa matéria, o não conseguiu entrar em contato com os outros citados.

Hospital fechado

Desde a segunda-feira (12), a Santa Casa paralisou os atendimentos alegando falta de condições pelo fato de atraso em repasses da Prefeitura de Cuiabá.

O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) emitiu nota, na terça-feira (12), afirmando que estava analisando documentos sobre a viabilidade de fazer repasses financeiros à Santa Casa de Misericórdia, que de acordo com a Prefeitura, teve os pagamentos suspensos por recomendação da Delegacia Fazendária, já que o hospital seria alvo de investigação, o que é negado pela direção da unidade de saúde.

A Prefeitura havia se comprometido repassar o valor R$ 3,6 milhões para custeio de serviços emergenciais.

A nota informa que o Município não é obrigado a cumprir os repasses, já que a Santa Casa não cumpriu com o acordo firmado entre as partes.

“Foram repassados R$ 24.866.260 para a instituição, mas os serviços hospitalares que deviam ser ofertados aos cidadãos não foram executados. Sendo o motivo da dívida da Santa Casa com a Prefeitura de Cuiabá”, afirma trecho do documento.

(Matéria atualizada às 20h50)

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(6) COMENTÁRIOS

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Zai  15.03.19 10h57
Parabéns vereador Toninho de Souza, continue sua luta a favor do povo!

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João  14.03.19 21h28
Bom era na época das irmãs, trabalhavam de forma voluntaria, e administravam com maestria! Devolvam para as irmãs....

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Herbert  14.03.19 20h26
Mesma situação da Santa Casa de Rondonópolis. Primeiro, a parte leonina dos diretores. Se sobrar, atende a população. As santas casas deixaram de há muito trabalhar em santas causas.

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Pedro  14.03.19 17h05
O HG deveria ter um pente fino também. Pente fino no salário e nos contratos de terceirização. Laboratório principalmente.

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Cuyabano  14.03.19 13h47
Engraçado isso! Agora alguns dos vereadores da Câmara de Cuiabá querem abrir CPI para investigar a Santa Casa! Essas denuncias de que tinha funcionários parentes e que recebiam 15 Mil de salários já tinha sido feita no ano passado, através do programa do apresentador POP da TV cidade Verde. Porque na época os senhores vereadores não investigaram os recursos que eram repassados do Município para a entidade????

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