06.12.2018 | 18h31


CONTRATO DE R$ 300 MILHÕES

Empresa que disputa administração do Hospital de Sinop é alvo do Gaeco no RS

O Gamp foi uma das três instituições classificadas para controlar o hospital no Norte de Mato Grosso por cinco anos.


DA REDAÇÃO

O Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) foi alvo de uma ação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaec) do Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (06). Em Mato Grosso, o Gamp foi classificado para administrar um contrato de R$ 300 milhões a serem pagos durante cinco pela gestão do Hospital Regional de Sinop (480 km de Cuiabá).

“Travestido de entidade assistencial sem fins lucrativos, se trata de uma típica organização criminosa voltada para a prática de inúmeros delitos, em especial peculato e lavagem de dinheiro, entre outras fraudes que esvaziam os cofres públicos”, diz o MP/RS.

O aviso de resultado da análise dos documentos e habilitação foi publicado no Diário Oficial em 14 de novembro. Nele, constam como classificadas para disputar a licitação do Hospital Regional de Sinop, além da Gamp, o Instituto Social Saúde Resgate à Vida e o Instituto Moriah.

O Gamp é considerado uma Organização Social de Saúde (OSS), ou seja, sem fins lucrativos. Porém, na análise do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS), o grupo, “travestido de entidade assistencial sem fins lucrativos, se trata de uma típica organização criminosa voltada para a prática de inúmeros delitos, em especial peculato e lavagem de dinheiro, entre outras fraudes que esvaziam os cofres públicos”.

Três pessoas foram presas nesta quinta-feira, incluindo o líder do esquema, que não teve o nome revelado pelo MP/RS.

Nas investigações do MP/RS, foram detectadas inúmeras irregularidades, entre elas, o superfaturamento de medicamentos em até 17.000%. Laranjas e testas de ferro teriam sido colocadas como diretores da empresa quando ela foi fundada como Organização Não Governamental, sem fins lucrativos.

“Em fevereiro de 2007, ocorreu a assembleia geral de fundação do Gamp como entidade privada com natureza jurídica de ONG. Entre as pessoas que assinaram a ata de fundação está um motorista semialfabetizado, que figurou como diretor-geral. A diretoria executiva tinha como conselheiros uma costureira, uma recepcionista, um mestre de obras, um ajudante geral, uma operadora de telemarketing, um cozinheiro, um estudante universitário (diretor-presidente), um montador, um manobrista e um motoboy, entre outros, residentes em diversos municípios do Brasil, como Cotia, São Paulo, São Caetano do Sul, Unaí (MG), Taguatinga (DF) e Caucaia dos Altos (SP)”, diz um comunicado do MP/RS.

O Gamp havia sido contratado para administrar o Hospital de Pronto Socorro de Canoas (RS), o Hospital Universitário, duas unidades de Pronto Atendimento e quatro unidades de Atendimento Psicossocial. Inicialmente, os contratos previam o pagamento de R$ 16 milhões por mês durante 60 meses. Com os seguidos reajustes, o valor chegou a R$ 23 milhões mensais. O grupo receberia cerca de R$ 1 bilhão durante os cinco anos de contrato.

Problemas no atendimento

Os desvios teriam causado, de acordo como MP/RS, diversos problemas no atendimento aos pacientes da rede pública de saúde do Rio Grande do Sul. Desde dezembro de 2016, quando assumiu os dois hospitais e os postos de saúde, o Gamp vinha atrasando salários de funcionários e médicos.  Além da falta de medicamentos e itens básicos como esparadrapos e compressas. No Pronto Socorro de Canoas, em abril de 2017, houve escassez de remédios básicos como Dipirona e Paracetamol, além de luvas cirúrgicas, aventais, jalecos, sacos de lixo e até mesmo sacos mortuários – mortos chegaram a ser retirados das gavetas sem qualquer cobertura.











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