12.06.2018 | 12h44


EMBATE POR LAUDOS

Delegado registra queixa contra Sindicato por calúnia e difamação

A queixa do delegado é devido ao fato de o Sindicato dos Peritos Criminais ter chamado de ato criminoso o fato de ele ter encomendado um laudo particular que foi contrário ao da Politec sobre a velocidade do carro que matou um verdureiro atropelado.


DA REDAÇÃO

O delegado Cristian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) registrou um boletim de ocorrência por calúnia e difamação, contra o Sindicato dos Peritos Oficiais Criminais de Mato Grosso (Sindpeco) que afirmou ser plágio o laudo independente solicitado ao delegado, que apontou que o Jeep Compass, dirigido pela médica Letícia Bortolini, quando atropelou e matou um verdureiro no mês de abril em Cuiabá, estava a mais de 95 km/h e não a cerca de 30 km/h como afirmou o laudo da Politec anteriormente.

A queixa por calúnia e difação é referente ao fato de o sindicato ter colocado em coletiva à imprensa, que teria sido um “ato criminoso” o fato de Cabral ter pedido um laudo pericial a uma empresa privada, o Laboratório Forense Lab Perícias e Consultoria.

"Eles disseram inverdades sobre mim por isso registrei um b.o. vou entrar com medida por calúnia e difamação”, declarou o delegado.

Ao , ele disse que não houve erro de interpretação, como alegado pelo Sindpeco, mas que na verdade o laudo emitido pela Politec que não estava claro, e que o sindicato não assume o erro e ainda tenta atacar os envolvidos no caso.

“Tem que admitir que errou. Todo mundo erra, mas não eles agem com paixão e disseminam ódio contra mim e contra o perito que realizou o laudo pela empresa privada”, disse o delegado.

Na segunda-feira (11), o Sindpeco informou em coletiva de imprensa que este parecer apresentado pelo Forense Lab foi copiado de um laudo da Politec emitido em 2014.

Na ocasião o presidente do Sindpeco, Antônio Magalhães, declarou que o delegado deveria ter aguardado o outro laudo que a Politec ainda está confeccionando com base nas imagens e que Cabral nem poderia ter pedido outro parecer, pois somente uma das partes envolvidas no caso que podem solicitar este documento.

O delegado declarou que ele precisa colher a maior quantidade de provas possíveis e é o juiz quem vai avaliar se o documento é legítimo ou não.

“Não cabe a mim julgar se o perito da empresa privada poderia fazer o laudo ou não, nem se o laudo foi copiado. Eu apenas juntei o maior número de provas e anexei ao processo, é isso que devo fazer, se não posso ser considerado omisso”, disse o delegado.

 

Laudo polêmico

O documento da Politec concluiu também que o sangue coletado da vítima após o acidente comprovou que ele estava bêbado.

“Exame realizado em amostras de sangue coletas da vítima Francisco Lúcio Maia e apontam que o mesmo encontrava-se com concentração de 25,54 dg/L”. A Politec explicou que em qualquer acidente de trânsito com morte, este procedimento é feito.

Na ocasião, a médica se recusou a realizar o teste do bafômetro e clínico para confirmar se ela havia consumido bebida alcoólica. Ela fugiu do local, mas foi foi seguida por uma testemunha e presa logo depois, no bairro Jardim Itália.

A médica chegou a ter a prisão preventiva decretada em audiência de custódia no domingo (15) de abril, porém, a defesa entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça. Ela foi liberada da cadeia por decisão do desembargador Orlando Perri, na segunda-feira (16), que acatou a justificativa de que ela tem um filho de um ano e seis meses para cuidar.

Na tarde do dia 5 de maio, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou por unanimidade duas medidas cautelares que tinham sido impostas à médica.

A decisão da 1ª Câmara Criminal da Corte – que autoriza Letícia a viajar para São Paulo uma vez por mês e chegar em casa depois das 18 horas - está baseada no entendimento do desembargador Orlando Perri, relator do habeas corpus, que deferiu a soltura dela um dia após a morte do verdureiro. De acordo com a defesa da dermatologista, as viagens fazem parte de um curso de especialização médica.

O laudo da Politec afirmou que as investigações seguem com o intuito de identificar se realmente era a médica quem conduzia o carro. 

 

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