22.01.2015 | 10h45


EFEITO LAVA JATO

CAB pode ser vendida ainda este ano; nove 'gigantes' articulam compra

As negociações vinham sendo tratadas desde 2014, no entanto, com a deflagração da operação foram cessadas.



Apesar de a empresa CAB Ambiental não ter relações com a Operação Lava Jato, que apura denúncias de irregularidades que envolvem contratos assinados pela Petrobras, o Grupo Galvão, que controla suas ações e está entre as investigadas, avalia a venda  da concessionária de àgua e esgoto de Cuiabá. 

De acordo com informações publicadas pela Revista Valor Econômico (VE), a GP Investments e mais sete empresas demonstraram interesse em adquirir as cotas da CAB. A concessão da empresa em Cuiabá é de 30 anos e foi firmada em 2012 pelo valor de R$ 516 milhões.  A empresa deve investir esse valor, no decorrer do contrato. 

A Galvão, segundo a VE ainda tem 66% das cotas, o restante pertence ao BNDESPar. Os contratos firmados pelo país somariam cerca de R$ 18 bilhões. A negociação se dava sobre os 38%, mas agora investidores querem mais. 

As negociações vinham sendo tratadas desde 2014, no entanto, com a deflagração da operação foram cessadas, mesmo com documentos prontos para serem assinados. A GP atua em gestão de recursos e tem escritórios em São Paulo (Brasil), Nova York (EUA) e Zurique (Suíça).

Confira reportagem que demonstra o andamento das negociações, que foi publicada pelo Valor nesta quinta-feira (22):

GS Inima engorda lista de ativos à venda no setor

Mais uma empresa de saneamento está em busca de um comprador. A sul-coreana GS Inima, que tem cinco concessões de tratamento de esgoto no Brasil, está em negociação para vender suas operações no setor. Com seus movimentos nesse sentido, a empresa aquece ainda mais um mercado que tem diversos ativos em negociação. O Grupo Galvão continua a ter interesse em vender sua participação de 66% (ou parte dela) na CAB Ambiental e a OAS busca um comprador para a OAS Ambiental.

Também em movimentação no setor está o grupo Bertin, que no ano passado conversou com fundos de investimento e empresas do ramo. Quase fechou a venda da Águas de Itu, seu único ativo de saneamento, para o Grupo Águas do Brasil.

Em um setor todo pulverizado e dominado por empresas estaduais, CAB, GS Inima e OAS Ambiental estão entre as 50 maiores do país, com receitas de R$ 487 milhões, 168 milhões e R$ 62 milhões, respectivamente, em 2013.

A GS Inima, que tem concessões de tratamento de esgoto em Maceió (AL), Ribeirão Preto, Campos do Jordão, Mogi Mirim e São José dos Campos (SP), pretendia vender as operações brasileiras dentro de um pacote também com ativos de saneamento de outros países, como Argélia, Espanha, México e Estados Unidos, segundo apurou o Valor. Todavia, passou a considerar a possibilidade de separar as concessões brasileiras - responsáveis por cerca de 45% de suas receitas na área.

A empresa, pertencente à sul-coreana GS Engineering & Construction, contratou o banco HSBC, em Londres, para auxiliá-la no processo. Procurada, a GS Inima afirmou ontem que não tinha porta-voz disponível.

Entre os prováveis consolidadores está  Aegea, além da Águas do Brasil (Queiroz Galvão, Acquapar, Cowan e outros acionistas). As empresas são, respectivamente, a primeira e a terceira maiores companhias privadas de saneamento no país em receita líquida. Entre as 20 maiores do setor no Brasil, há 14 estaduais, duas municipais e quatro privadas (veja a tabela acima).

A Odebrecht Ambiental, segunda maior privada do setor, também não está de fora das rodas de negociação. Nos últimos meses, chegou a conversar com fundos de investimento e concorrentes sobre a venda de parte de seus ativos, ou até mesmo uma fusão. Até o momento, porém, as transações não evoluíram para uma concretização.

Entre os mais prováveis consolidadores estão a Aegea e o Grupo Águas do Brasil, além de fundos de investimento

A Aegea, que reúne os ativos de saneamento do grupo Equipav, está se preparando para um aumento de capital para ajudá-la em uma ou mais aquisições no setor, segundo uma fonte do setor. A empresa tem entre seus acionistas o fundo soberano de Cingapura (GIC) - que já sinalizou que pretende aproveitar oportunidades para aquisições no Brasil -, além da International Finance Corporation (IFC) e do Fundo Global de Infraestrutura (GIF), gerenciado pela IFC.

Procurada, a Aegea disse que "está avaliando oportunidades no mercado" e que "será seletiva" ao avaliar a possibilidade de obter sinergias e sua capacidade de absorção de outras empresas, considerando sua alavancagem e seus ratings para crédito. A empresa teria sinergias claras com a CAB, por exemplo, já que ambas atuam no Mato Grosso, mas também teria interesse nos ativos da GS Inima, na Águas de Itu e na OAS.

Caso a CAB seja adquirida pela GP Investments, em uma negociação em curso desde o ano passado, já há conversas entre a gestora e o GIC sobre a possibilidade de fusão da CAB com a Aegea no futuro. A CAB também tem em seu capital a BNDESPar, braço de participações do BNDES, que comprou 33% da empresa em 2012 por R$ 120 milhões.

Sobra a venda da Águas de Itu, o grupo Bertin apenas confirmou que chegou a avaliar opções, mas que não chegou a fechar o negócio. Segundo uma fonte do setor, a venda para o Grupo Águas do Brasil ficou embargada por um processo movido por credores do grupo Bertin. Além disso, a concessionária enfrentou no ano passado uma difícil situação com falta de água par o fornecimento, tendo que adotar esquemas de racionamento e e lidar com as previsões de redução de suas receitas. 

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Bertin informou que a Águas de Itu está investindo R$ 30 milhões na ampliação de captação de água e em redução de perdas.











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