16.02.2016 | 14h32


PARA EVITAR CARTEL

Alunos da Unirondon são 'assumidos' pela FAUC; estrutura é pior segundo acadêmicos

O grupo Kroton diz que a venda foi feita por imposição do Cade, para quebrar a cartelização no setor; que cerca de 950 estudantes estão nessa situação transitória


DA REDAÇÃO

Os alunos do curso de Direito da Faculdade Cândido Rondon, vendida pelo grupo Kroton, em 1 de fevereiro deste ano, para a Faculdade de Cuiabá (FAUC), estão indignados com a rápida transição, que, segundo eles, da forma como está sendo feita, vai prejudicar o ensino.

“As aulas na FAUC começaram nesta segunda-feira (15), em outro prédio, com outros professores, sem o devido prazo, para aqueles que quisessem pedir a transferência para outras instituições”, reclama o estudante Carlos Rente

“As aulas na FAUC começaram nesta segunda-feira (15), em outro prédio, com outros professores, sem o devido prazo, para aqueles que quisessem pedir a transferência para outras instituições”, reclama o estudante Carlos Rente Júnior, do Centro Acadêmico de Direito.

Para os acadêmicos, a situação é de descaso.

 

“Um curso caro desse jeito, um investimento que a gente faz e nessa bagunça não dá”, reclama

“Um curso caro desse jeito, um investimento que a gente faz e nessa bagunça não dá”, reclama Rente Júnior, se referindo à mensalidade que gira em torno de R$ 700, um valor que até mesmo os beneficiados pelos programa Fies terão que assumir mais tarde, após a formatura. Somente os incluídos no Prouni são isentos.

Segundo ele, a estrutura na Faculdade Cândido Rondon, na avenida Beira Rio, em frente à Unic, que também é do grupo Kroton, é melhor, do que na FAUC, na avenida da Prainha, região central da capital mato-grossense.

Além disso, o estudante completa que houve desligamento de professores e a recontratação de alguns outros ainda é uma incerteza.

Carlos destaca ainda que cerca de 950 estudantes estão nessa situação transitória, sendo que fizeram vestibular para o Centro Universitário Cândido Rondon (Unirondon) e não para FAUC.

“Avaliamos que toda essa situação fere nosso direito como consumidores e pensamos em entrar com um mandado de segurança, mas isso demora e temos urgência em dialogar com a direção das duas instituições”, ressaltou.

“Avaliamos que toda essa situação fere nosso direito como consumidores e pensamos em entrar com um mandado de segurança, mas isso demora e temos urgência em dialogar com a direção das duas instituições”, ressaltou.

O caso foi levado à Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso (OAB-MT), que demonstra ter preocupação com a qualidade do ensino jurídico. O presidente Leonardo Campos, o Leo Capataz, disse que tem conhecimento do protocolo mas o encaminhou a Comissão de Ensino Jurídico, para análise e encaminhamentos. Capataz disse ainda que a formação do bacharel, não somente o que vai atuar como advogado, mas também como delegado e em outros cargos compatíveis com a profissão, impacta na advocacia como um todo. “Queremos fiscalizar as instituições, com foco principal no professor, porque acreditamos que o material humano é que pode dar qualidade ao ensino e para isso o professor tem que ter formação, estrutura para trabalhar e remuneração adequada”, destaca o presidente da Ordem em Mato Grosso.

No meio desta transição confusa, os estudantes pediram também o apoio parlamentar do deputado estadual Pery Taborelli (PV). No gabinete dele, a Assessoria de Imprensa informa que vai questionar, em favor dos reclamantes, o modelo de aulas on line, em quantidade superior ao limite estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC).

O grupo Kroton informa que a venda da Faculdade Cândido Rondon, que pertencia ao grupo desde 2012, foi feita por imposição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça, para quebrar a cartelização no setor.

Taborelli também estaria negociando com a OAB, para que assumam o compromisso de acompanhar os estudantes em favor da qualidade de ensino.

A Assessoria de Imprensa do grupo Kroton informa que a venda da Faculdade Cândido Rondon, que pertencia ao grupo desde 2012, foi feita por imposição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça, para quebrar a cartelização no setor.

Confira o comunicado na íntegra.

COMUNICADO 

Devido às pré-condições estabelecidas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para aprovação da aquisição do Centro Universitário Unirondon, foi determinado pela autarquia federal que a Kroton vendesse a instituição de ensino superior Faculdade Cândido Rondon (FCR), com autorização do Ministério da Educação (MEC), para a oferta de vagas no curso de Direito.

A FCR pertencia à Unirondon e começou a integrar o grupo Kroton em abril de 2012. A partir de fevereiro deste ano, a FCR fará parte da Sociedade Educacional Enes Nascimento Ltda., mantenedora da Faculdade Cuiabá (FAUC) e da Faculdade AUM (FAUM) e passará a funcionar na nova sede: Av. Tenente Coronel Duarte, N° 553 – Centro Norte – Cuiabá (MT).

Durante a negociação, a Kroton buscou no mercado uma renomada instituição de ensino em Mato Grosso para assumir a operação da FCR, que prosseguirá com o trabalho educacional realizado aos acadêmicos a partir deste semestre. O grupo permanecerá com a operação das demais unidades do Centro-Oeste do Brasil, mercado considerado extremamente importante para a organização.

Em compromisso com a constante busca pela transparência, a Kroton se reuniu na noite desta segunda-feira, 1º de fevereiro, com os alunos líderes de turma da FCR para comunicar a notícia. O grupo permanece à disposição para o esclarecimento direto de quaisquer dúvidas adicionais.











(3) COMENTÁRIOS

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Marques  17.02.16 13h49
Layanne convido vc para ir no predio "novo" da FCR e ver como é, e compara com o predio da antiga UNIC de VG, como vc nao sabe como é la, vou te adiantar, o saa é uma janelinha de tirar xerox onde atende uma pessoa por vez, em um ambiente q nao tem ventilação, se quer colocaram um ar,falaram que o predio e novo, mas apenas passaram uma mao de tinta, elevador que arrumaram choveu ja estragou, nao tava funcionando nem no inicio das aulas, biblioteca tem mais livros de ADM e economia do que de Direito, fora o lugar no meio do centrao onde os estacionamentos pertos nao cabe nem 100 carros , em uma faculdade de quase 1000 alunos, pago 1300 la por estrutura de um pequeno colegio infantil onde nao suportou nem o CEAC.

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Marques  17.02.16 08h34
Essa foto da fauc esta errada, o prédio novo e la na prainha, ao lado da novo mundo , perto da bispo, antigo prédio do CEAC, ridiculo aquele predio sem estrutura, e ainda pede 15 a 20 dias para dar a transferencia, prejudicando fazer matricula em outras instituições.

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Layanne  16.02.16 21h10
Sou acadêmica de direito da antiga Unic Várzea grande que também foi vendida para este grupo. E confesso que todos ficamos inseguros com a transição, mas hoje desfrutamos de uma qualidade de ensino extremamente superior a que o grupo kroton oferecia. Acredito que a FCR também ira receber estas mudanças. Hoje temos professores comprometidos com o ensino dos alunos e sem as aulas virtuais.

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