19.06.2017 | 09h52


GRAMPOS ILEGAIS

Janaina diz que MPE está sendo omisso em investigação

Para a deputada Janaina Riva, o Ministério Público deveria ter agido de forma mais efetiva na proteção do direito à privacidade, uma vez que a denúncia aponta interceptações clandestinas em telefones de políticos, advogados e jornalistas.


DA REDAÇÃO

A deputada estadual Janaina Riva (PMDB) acredita que o Ministério Público Estadual (MPE) está sendo omisso em relação às investigações das escutas telefônicas ilegais, chamadas “barriga de aluguel”, monitoradas pela Polícia Militar de Mato Grosso.

Para ela, o órgão deveria ter agido de forma mais efetiva na proteção do direito à privacidade, uma vez que a denúncia aponta interceptações clandestinas em telefones de políticos, advogados, empresários, servidores públicos e jornalistas. A parlamentar teve dois números “grampeados”, sob o argumento de uma investigação de tráfico internacional de drogas.

“A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi muito contundente ao expressar essa mesma opinião de reivindicar uma posição mais efetiva do Ministério Público. Um exemplo é que o juiz que determinou as prisões dos oficiais da Polícia envolvidos agiu de ofício. Não houve um pedido para que as prisões fossem realizadas”, afirmou Janaina, em entrevista para o programa Conexão Poder.

A parlamentar disse que o “Ministério Público poderia estar fazendo mais”.

“Até agora o MP não pediu o afastamento dos secretários de Estado que tiveram os nomes envolvidos. No depoimento da policial que fazia as escutas, eles foram denunciados. Ela disse que recebeu ordens deles e eles ainda estão no cargo”, pontuou.

“Até agora o MP não pediu o afastamento dos secretários de Estado que tiveram os nomes envolvidos. No depoimento da policial que fazia as escutas, eles foram denunciados. Ela disse que recebeu ordens deles e eles ainda estão no cargo”, pontuou, referindo-se à 3º sargento da PM, Andrea Pereira de Moura Cardoso.

A oficial confessou ter atuado em central de escuta telefônica clandestina da PM, a mando do ex-comandante da corporação, coronel Zaqueu Barbosa. Segundo ela, a orientação para que procurasse o ex-comandante partiu do então comandante do Centro Integrado de Operações Aéreas, Airton Siqueira Júnior, que atualmente é secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

“Aliás, ela fez a colaboração e foi a única exonerada do cargo. Os outros que estão com a boquinha quietinha ainda estão no cargo. Ela entregou secretário, então, porque o Governo ainda não afastou os envolvidos?”, questionou Janaina.

A deputada garantiu que não se trata de condenar os oficiais, mas de afastá-los dos cargos, durante as investigações. “Sou contra condenar antecipadamente, mas que sejam afastados durante a apuração dos fatos e depois, se nada ficar comprovado, que retornem às funções”, disse.

Ela argumentou que a falta de iniciativa do Governo em não afastar os envolvidos deve-se ao medo de que possam “abrir a boca e dar os nomes dos mandantes dos grampos”.

“Aliás, ela fez a colaboração e foi a única exonerada do cargo. Os outros que estão com a boquinha quietinha ainda estão no cargo. Ela entregou secretário, então, porque o Governo ainda não afastou os envolvidos?”, questionou Janaina.

“Acho que foi uma determinação do governador, orquestrada pelo Paulo Taques [ex-secretário da Casa Civil]. Ele [Paulo Taques] assinou a culpa no dia em que pediu a exoneração do cargo. O mesmo dia em que a denúncia dos ‘grampos’ veio à tona”, afirmou a parlamentar.

Entenda o caso

A denúncia das interceptações ilegais da PM foi feita pelo promotor de Justiça, Mauro Zaque, que foi Secretário de Estado de Segurança Pública no ano de 2015. Segundo ele, telefones foram monitorados clandestinamente entre os anos de 2014 a 2015.

Por conta da denúncia, estão presos o ex-comandante da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, e o cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira, desde o dia 23 de maio. Zaqueu foi apontado como mandante dos “grampos” pelo juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros.

No depoimento da sargento Andrea consta que as escutas eram realizadas em uma sala do 6º andar do Edifício Master Center, na Rua Desembargador Ferreira Mendes, nº 234, nas proximidades do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha.

As investigações estão sendo conduzidas no âmbito da Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Todas correm em segredo de justiça.

Assista a íntegra da entrevista aqui.











(5) COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

Carlos Silva Batista  19.06.17 20h52
Como o.ministério público vai envestigar se p governo manda nele se ele nomeia procuradores para cargos de chefia no estado como eles vão envestigar.

Responder

4
2
Bruno  19.06.17 15h31
A única experança é o Ministério Público Federal, pois o MP estadual está nas mãos do governo, basta ver como o MPE e a Justiça Estadual foi condescentente com os acusados na Seduc, todos conseguiram liberdade provisória e mesmo com a delação do Alan Maluf não denunciaram Pedro Taques. O Riva foi acusado de desviar 10 milhões da assembleia em 3 décadas, Taques teve secretário preso por desviar 54 milhões em menos de um ano. O Riva foi condenado e o Taques?

Responder

8
5
Rui  19.06.17 17h09
Bruno, vc deve ser desses que durante os 20 anos teve uma boquinha, né? http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2015/02/riva-teria-desviado-r-60-milhoes-com-compras-fraudulentas-diz-mpe-mt.html Só em um processo em que figura foram 62 milhões. É troco se somar os mais de 100 processos. E eu espero que todos os corruptos sejam presos. Riva roubou ele mesmo, conforme confessou. Vc está citando um secretário de Pedro Taques. Quando acharem a digital dele, vamos comemorar juntos mais um corrupto preso.

Responder

5
2
Carlito  19.06.17 15h25
Rui muda o governo e os esquemas são os mesmos, aqueles que criticavam os desvios do VLT no governo Silval são os mesmos que hoje defendem a continuidade da obra com a mesma empresa.

Responder

6
4
Rui  19.06.17 14h19
Omisso o MP foi durante 20 anos em que seu pai "desviou" milhões do Estado. Vinte longos anos e o MP nada fez. Vinte longos anos, sendo que a senhora se beneficiou diretamente dos desvios. E a senhora está enganada. A sargento não fez grampo nenhum de pessoas civis. Ela disse isso textualmente. Ela só ouviu policiais militares investigados. Perdeu a aulinha de interpretação de texto?

Responder

5
8

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER