21.01.2014 | 15h03


CRISE FINANCEIRA

Sem receber desde outubro, professores da Univag iniciam greve por tempo indeterminado

A paralisação vai prejudicar diretamente o inicio do semestre


DA REDAÇÃO

Sem receber desde outubro de 2013, os quase 400 professores Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) decidiram iniciar o movimento de greve por tempo indeterminado. A paralisação vai prejudicar diretamente o inicio do semestre.

De acordo a tesoureira do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Estado de Mato Grosso (SINTRAE-MT) e diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Nara Teixeira de Souza, a Univag está em crise financeira desde 2008. “O atraso nos salários dos professores já era comum na universidade, mas em 2013 os salários foram praticamente suspensos. Muitos professores estão passando por necessidades, fecharam o ano no vermelho”.

Atualmente, cerca de 12 mil alunos estão matriculados entre os 28 cursos de graduação e 12 de educação tecnológica. “São muitos alunos que não podem ficar desassistidos diante dessa situação. Além do suporte para os professores, temos que garantir o atendimento a esses alunos”, diz Nara.

Já foi cogitada uma possível falência da universidade, em virtude da dificuldade financeira. Mas a tesoureira do Sintrae garante que a universidade tem condições financeiras de quitar as dívidas, e que não acredita em falência. “Pelo menos por enquanto, eu acredito que isso não vai acontecer. A Univag tem muito dinheiro para receber referente ao FIES, mas como está devendo o Governo Federal, esse valor não é repassado”, explica.

O Sindicato ingressou com uma ação civil coletiva solicitando o bloqueio dos bens da Universidade e suspensão do pagamento e retirada dos pró-labores de todos os sócios-diretores, a abertura de uma conta jurídica para depósito em juízo das mensalidades pagas e que essa conta passe a ser movimentada exclusivamente para pagamento dos salários dos professores e demais trabalhadores da instituição.

O presidente do SINTRAE-MT, Joacelmo Barbosa Borges (Professor Biro), relatou as últimas ações do sindicato para solucionar essa grave situação vivida pelos professores do Univag. "O sindicato tem lutado contra a prática nefasta de atraso salarial por parte do UNIVAG. Em 2009, após denúncia do SINTRAE-MT, o UNIVAG assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 74/2009) junto ao Ministério Público do Trabalho - MPT 23ª Região/Cuiabá, pelo qual se comprometeu a pagar em dia os salários de seus trabalhadores e pagar a primeira parcela do 13º salário até 30 de novembro, e a segunda parcela até o dia 20 de dezembro de cada ano. Hoje, depois de seguidos descumprimentos do TAC e de várias audiências realizadas no MPT na busca de uma solução negociada, a empresa está sujeita à ação direta da Justiça", ressaltou.

OUTRO LADO

A Reportagem tentou contato com o reitor da Univag, Dráuzio Medeiros, e o vice-reitor, Flávio Foguel, mas foi informada que ambos não estavam na universidade para se posicionar diante da situação.

CRISE COMPARADA COM A DA UNIVERSIDADE GAMA FILHO

A tesoureira do Sindicato compara ainda a situação com a vivida pelos alunos da Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade). “Pode não ser a mesma coisa, mas a crise afeta quase a mesma quantidade de alunos. Tem que ter uma atenção especial”.

As unidades foram descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) na última terça-feira (14) por causa "da baixa qualidade acadêmica, do grave comprometimento da situação econômico-financeira da mantenedora [das instituições] e da falta de um plano viável para superar o problema, além da crescente precarização da oferta da educação superior".

O descredenciamento é o desfecho de uma série de problemas administrativos e financeiros envolvendo as duas instituições de ensino superior que se arrastou desde o final de 2012, quando a Galileo assumiu o controle da Gama Filho e da UniverCidade, sabendo da crise financeira. Hoje, as dívidas chegam a R$ 900 milhões.











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